Ameba´S Reflexões - A quem é dono da verdade...

       A quem é dono da verdade...

        Vira e mexe nos debatemos sobre conceitos alheios, ora e outra somos aprisionados por imposições ideológicas. E, nessa abrangente relação de submisso e senhorio, a expressão se perde no silêncio da voz, bem como das mil e uma manifestações a que lhe foi deixada o dom. Mas afinal, quem é o dono da razão?
       Ao dono da verdade a incumbência de delegar o comportamento, atitudes e posicionamento ideológico. É dele o protótipo de diretriz a ser seguido...Claro, pois ele sabe mais que você, pobre vassalo. A lógica é o seu calçado, a razão seu cérebro, e a verdade sua espada. Assim ele é, o bravo guerreiro que veio para nutrir a consciência, tirando seus míseros irmãos da idade das sombras, da qual não passamos de meros coadjuvantes na caverna de Platão.
      Do outro lado, eu/você/nós, componentes desta grande massa imbecil que caminha sem rumo, guiados por mestres cegos que mal conhecem o caminho. Ora, nos ensinam desde pequenos a sujeitar-nos. E das tantas vezes que procuramos manifestar os pensamentos - todos em processo de ebulição - logo reprimidos pela arcaica forma de coronelismo. "Eu sei... Tenho base para isso". "Você não sabe o que está dizendo. Não é assim". Quem dera se dos tantos saberes que povoam a terra conseguissem livrar o homem das mazelas que o oprime...Desde que deram poder ao animal racional.
      Bendizemos Camões, que das experiências vividas pôde compor a epopeia dos mares. Mar de sonhos, ufanismo e peripécias. Destas mesmas águas em que um gigante se rendeu às dores do amor. Desta mesma história em que uma ilha foi palco de prazer. Mas que desgraça seria se o dono da verdade falasse que isso não passava de divagações, sandices e tolices do navegador incauto que não sabe o que diz.
      Quem me garante que, se Shakespeare não fosse impossibilitado de completar seus estudos formais, tivesse a mesma sensibilidade de moldar as intrigas que revolucionaram o teatro? Se antes os autos e farsas moviam a linguagem medieval, do drama à comédia à liberdade de suscitar emoções da existência. E se me fosse dada a capacidade de enumerar os inúmeros exemplos de personalidades ilustres, livres para voar na manifestação do pensar, não teria as pautas necessárias para finalizar.
      Apenas quero falar, simplesmente ser ouvido, lido, visto etc. Acredito que o outro também queira. Todos sabemos, pois a mesma vida que pulsa aqui, tenho certeza que palpita aí... E desde imenso laço que nos envolve, denominado respiração, o dom do conhecer. Conhecer o amor, a fraternidade, a liberdade, e de tantas experiências que nos sirvam de base suficiente à manifestação das nossas crenças. Apenas uma restrição: que seja verdadeira.
      Ao dono da verdade peço desculpas por ousar me expressar. Foi mais forte que eu, não poderia ser diferente. Tenha certeza que é a minha realidade, nutrida pela verdade que há em mim. Lutamos com bravura neste cotidiano voraz, onde normalmente somos presas da grande cadeia alimentar, inserida no hábitat sociedade. Não deixemos o maior dos direitos, manifestar a vida que habita em cada um... E fazer disso o nosso altissonante megafone.


                                                                                                  Rodrigo.
      

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